CAPOEIRA
DIA DO CAPOEIRISTA
Lei nº 4.649, de 07 de Agosto de 1985, Institui o "Dia do Capoeirista", a ser comemorado anualmente, no dia 3 de agosto, O GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu promulgo a seguinte Lei: Artigo 1º - Fica instituído o "Dia do Capoeirista", a ser comemorado, anualmente, no dia 03 de Agosto. Artigo 2º - Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. Palácio dos Bandeirantes, 07 de agosto de 1985. FRANCO MONTORO Publicada na Assessoria Técnico-Legislativo, aos 7 de agosto de 1985.
O QUE É CAPOEIRA
A capoeira è um jogo, é um brinquedo
E' se respeitar o medo
E' dosar bem a coragem
E' um voou de um passàro
E' um grito de liberdade...
ORIGENS
Capoeira è uma arte marcial Brasileira,essa è somente uma definiçao parcial de tal diciplina.A origem Africana te transporta no periodo da escravidao onde varias etnias foram retiradas do seu territorio para trabalhar nas plantaçoes,nas mineiras, e nas casas do Senhor do Engenho.
Estrumento de luta e defesa pessoal a Capoeira se torna para os escravos uma verdadeira e propia diciplina defensiva que concente a oportunidade de fuga,a resposta a violencia,a possibilidade de chegar ao Quilombos,a Republica onde encontrava refugio todos os escravos fugitivos e onde se praticava liberamente a capoeira.
Segundo a uma longa pesquisa feita sobre o significado da palava capoeira conseguimos chegar a diversas definiçoes tipo "clareira" terreno desmatado, :a tradiçao diz que esses espaços eram os preferidos dos capoeiras pois ali poderiam encarar melhor os capitaes do mato,que vinham com a ordem de capiturar os escravos fugitivos.
Alguns estudiosos comparam o jogo da capoeira com combatimento de galos(capao)ou com o macho chamado capoeira muito siumento e agresivo na luta contra os seus rivais ou entao se identifica com o nome capoeiras(cesto)contenitor de mercadorias que os escravos levavam para o mercado para identificar o jogo pràticado por eles.
O Batizado
O Batizado é um dos momentos de maior expectativa do curso de Capoeira.
Representa o ponto máximo do aprendizado, quando o aluno terá todos os seus esforços reconhecidos e coroados.
Nesta cerimônia o aluno terá a oportunidade de mostrar tudo àquilo que aprendeu ao longo do seu período de aula, jogando Capoeira com seus amigos, professores e mestres.
O aluno é batizado apenas quando recebe o primeiro cordão (cordão verde), a partir daí ele será graduado passando para os estágios mais elevados da Capoeira.
Na Cordão de Ouro temos um sistema de graduação infantil para as crianças de até 14 anos de idade, com tons mais claros para sua distinção.
Esporte nacional Brasileiro
Depois da aboliçao da escravidão em 1888 a pràtica da capoeira se torna proibida, associada com a marginalizaçao continua a ser praticada clandestinamente nas estradas. Sò em 1930 com a anulaçao da lei que a proibia começa a conquistar um pequeno espaço a nivel social, se abre a primeira escola , vem reconhecida como esporte nacional Brasileiro (1937) e começa assim a ser sempre mais praticada e conhecida atè ser esportada no mundo inteiro.
Música e canto
A finalidade da capoeira consiste no utilizo da musica e do canto.
Desde a sua origem esses elementos erao utilizados para desorientar os senhores do engenho. A combinaçao de movimentos ritmicos, a agilidade, a creatividade, trasformava a capoeira numa dança contribuindo dessa maneira a deixar em segundo plano o objeti vo verdadeiramente agresivo e defensivo mostrando somente a parte da fantasia e do divertimento.
A capoeira se pràtica num circolo de pessoas (roda) que cantando e batendo as maos da a energia necessaria aos dois lutadores. O ritmo ao corpo e aos movimentos do capoeirista è dado por um instrumento, o Berimbau (nome derivado da madeira do qual è composto) acompanhado de pandeiro,atabaque, e agogo.
O Gunga crea a base e cadencia no jogo dos capoeiristas, O Medio responde a variaçao do Gunga enquanto o Viola fica livre para variar.
Capoeira Angola
A Angola è um jogo caracterizado de um toque lento onde o capoeirista mantem o corpo numa posiçao medio baixo. Mesmo movimentando como se estivesse brincando o angoleiro pode dar golpes numa velocidade surpreendente, se move como uma cobra, salta como um macaco, usa a cabeça como uma zebra e com a precisao de um tigre pode chegar com os pès atè o olho do adversàrio. upon the rhythm given by the Gunga. Atè hoje se considera o Mestre Pastinha o maior grande Mestre de Capoeira Angola e se da ele o titulo de creador desse particolar estilo.
Capoeira Regional
A Capoeira Regional creada na regiao de Bahia por Mestre Bimba è baseada sobre tudo no uso dos golpes e muito facilmente comparada as artes marciais tradicionais. Nesse tipo de jogo se deve saber aproveitar a agilidade das acrobacias e a velocidade dada pelo ritmo do berimbau.
O corpo è sempre em movimento ràpido seja em ataque ou em defeza mantendo sempre uma posiçao medio alta respeito ao terreno.
A mulher na capoeira
A mulher já faz parte do cenário da Capoeira a um bom tempo, mas ainda não conquistou o espaço que merece e é isso que o grupo que buscar, promovendo a união das mulheres por meio de rodas, danças, bate-papos. Com o propósito de mostrar que a Capoeira é uma só e que não se devem ter rinchas ou intrigas.
A mulher não tem tantas oportunidades como os homens têm de freqüentar rodas, eventos e viagens, mas acreditamos que a mulher tem capacidade de criar e ocupar o próprio espaço. Como é o que já vem acontecendo na sociedade, tanto na área profissional ou familiar.
A prática da Capoeira
A pràtica da Capoeira exige uma precisa preparaçao atlètica que lhe permite de utilizar todos os movimentos de base, de ataque, de defeza e de tipo acrobatico durante um jogo. A comparaçao com a arte marcial nasce do utilizo desses movimentos finalizando um confronto com um adversario mas a origem consiste em seguir o ritimo dos estrumentos e transformar o confronto em um verdadeiro e propio momento creativo.
O espirito do confronto è aquele de estudar o adversario, utilizzando a malandragem e de partir com um movimento para crear uma sequencia completamente diferente. O momento do confronto è o momento do jogo. Cada pessoa pode viver acapoeira de forma diferente: como dança, como luta, como jogo.
A Roda è local do confronto, da abilidade, da comunicaçao e è o momento da experiencia e do confronto.
Arte completa a capoeira pode ser praticada a qualquer idade.
Disciplina completa porque a capoeira nao te dà somente a capacidade de ser um bom atleta mais tambem um alto potencial de desenvolvimento creativo da sua personalidade e uma grande capacidade de socializaçao.
O respeito ao Mestre è muito importante na formaçao de qualquer aluno e a conciencia disto è muito importante para que o aluno saiba no futuro passar, o respeito ao adversario, a capacidade de saber responder a situaçao mais ou menos critica com tecnica e no respeito de um jogo correto, sao elementos fundamentais em que se basea a pratica desta arte.
Cada situaçao de confronto representa um momento unico, particular e inrepetivel cada confronto acrescenta capacidade e experiencia enriquecendo desta forma o crescimento do capoeirista.
A Roda è um mundo ou melhor o mundo que precisa de uma filosofia para ser encarado: esta filosofia de vida è a Capoeira.
Existe nesta antiga arte um momento muito importante uma verdadeira cerimonia que vem organizada de cada Mestre.O nome desse tal encontro è chamado Batizado. A formaçao de um capoeirista preve nao somente a boa forma tecnico/fisica mais ainda se deve sublinear os fundamentos de tal disciplina que une preparaçao fisica , musical e canto.
O capoeirista deve conhecer a tecnica do jogo, a historia e as regras de comportamento que caracteriza uma Roda mas deve ainda conhecer “ladainhas”ou “xula”, “quadras”e “corridos.Deve tambem saber tocar todos os istrumentos que formam uma Roda: Pandeiro, Atabaque, Agogo,e Berimbau Somente dessa maneira um aluno vem considerado um capoeirista completo com condiçoes de continuar a aprender e a transmitir os fundamentos e a tecnica desta antiga e facinante Arte Marcial.
Capoeira è uma linha imaginaria que liga realidade e fantasia, musica e poesia, corpo e armonia, falcidade e traiçao, tristeza e alegria em modo que cada capoeirista tenha uma estranha filosofia.
CAPOEIRA: OUTRA DEFINIÇÃO
A história da Capoeira confunde-se com a própria história do Brasil, pois é nela que vamos encontrar as primeiras manifestações. A Capoeira surgiu do negro cativo buscando sua identificação cultural frente ao sistema da escravidão em um ambiente adverso à sua aceitação junto à sociedade dominante. Há sessenta anos a capoeira ainda era considerada ilegal, reprimida pela polícia. Essa situação gerou um ambiente propício ao desenvolvimento da sua versatilidade.
A Capoeira surgiu no Brasil no século XVI, com a vinda dos negros que aqui eram usados como escravos. Em ânsia de liberdade os negros criaram a capoeira, luta que supria a falta de força, compensando a má alimentação, numa demonstração de destreza e agilidade corporal.
Então misturavam instrumentos musicais, dança e luta, tudo ao mesmo tempo, enganando seus Senhores de Engenho.
Os negros quando fugiam, iam para as matas de onde originou-se o nome Capoeira, que em tupi-guarani significa MATO RALO. O Quilombo de Palmares, localizada na serra da Barriga, no Estado Alagoas. No Quilombo todas as crianças após os 10 anos, tinha o seu início na Capoeira. A Capoeira sofreu repressão por grande parte das autoridades policiais devido aos mau caráter e chegou a ser proibida em 1839 pelo Marechal Deodoro da Fonseca, e resistindo ao sistema até a sua legalização.
A Capoeira é brincadeira, é um jeito de lutar jogando, rindo, dissimulando. Tem evoluído nos últimos cinqüenta anos, saiu das sendas da marginalidade e passou a ser praticada em academias, clubes e sua presença, obrigatória em espetáculos diversos.
Tratando-se de uma cultura popular, a transmissão de conhecimentos de geração em geração vem ocorrendo de forma verbal e através da própria realização da arte. Sua expressão popular faz parte do vasto e rico legado da cultura brasileira e contém elementos de educação, arte, luta, esporte, terapia, assim como dança, lazer, folclore, história, ginástica, etc.
A arte na Capoeira se faz presente através da música, do ritmo, do canto, da expressão corporal, da criatividade de movimentos e da presença cênica. A luta representa sua origem e sobrevivência através dos tempos na sua forma mais natural, como um instrumento de defesa pessoal genuinamente brasileiro, e uma estratégia de resistência ao aniquilamento de uma cultura.
Como modalidade esportiva, ela possui elementos que se identificam culturalmente com seus praticantes, despertando o interesse da comunidade em geral. A sua prática, como forma de lazer e recreação, representa eventos conhecidos na comunidade como "rodas de capoeira", sendo evidente os seus efeitos terapêuticos em termos educacionais, ocupacionais e de reabilitação.
O fim do regime escravocrata não significou a aceitação imediata da comunidade negra na vida social. Ao contrário, vários aspectos da cultura afro-brasileira sofreram violenta repressão, como a capoeira. O caso da capoeira é o mais evidente: essa forma de rebeldia, que já havia sido utilizada como arma na luta de inúmeras fugas durante a escravidão, tornou-se um símbolo de
resistência do negro a dominação. Assim o governo republicano, instaurado em 1889, deu continuidade a essa política e associou diretamente a capoeira a criminalidade, como consta no decreto 847 de 11 de outubro de 1890 com o titulo " Dos Vadios a Capoeiras".
Artigo 402 - Fazer nas ruas os praças públicas exercícios de destreza corporal conhecido pela denominação de capoeiragem: pena de 2 a 6 meses de reclusão.
Parágrafo Único : É considerada circunstância agravante pertencer o capoeira a alguma banda ou malta. Aos Chefes, ou cabeças, impor-se-á a pena em dobro.Passou o tempo e a capoeira é praticada hoje não só nas ruas, mas nas academias e escolas.
Instrumentos Musicais da Capoeira 29-09-2007
O berimbau é o instrumento que comanda a roda da capoeira .
Ele é um instrumento de uma só corda composto por uma verga de madeira (Biriba) , um arame , uma cabaça , um caxixi (chocalho artesanal) , uma vaqueta e para emitir seus sons é utilizado uma pedra ou dobrão (moeda de cobre) . Normalmente são utilizados três berimbaus simultâneos na roda , um gunga ou berra-boi , um médio e um viola que possuem sons que vão tornando-se mais agudos gradativamente .
O que dá diferentes nomes aos berimbaus é a diferença no tamanho de suas cabaças sendo que o viola possui a menor cabaça e o gunga a maior cabaça . Portanto a definição do tipo do berimbau que está sendo tocado depende diretamente dos outros berimbaus presentes na roda . O berimbau varia suas notas musicais através de uma maior ou menor pressão do dobrão no arame e de se encostar ou não a cabaça na barriga do tocador .
O berimbau é segurado com o dedo mínimo por debaixo do barbante que prende a cabaça ao arame pela mão esquerda . O dobrão fica entre o polegar e o indicador desta mesma mão . Com a mão direita o tocador deve segurar o caxixi e e bater ritmicamente com a vaqueta contra o arame .
Cabaças : Fechada; Gunga ou Berra-Boi; Média; Viola
Arame(Aço), caxixi, vaqueta e dobrão
Retrospectiva na capoeira
Datas Históricas
1834 - E publicado, por Jean Baptista Debret. O berimbau era tocado por ambulantes, para atrair a atenção de fregueses.
1835 - Rugendas, pinta o quadro intitulado “Jogar capoeira ou Danse de la Guerre”
1888 - É aprovado a Lei Áurea, dando a liberdade a todo negro escravo.
1889 - Nasce em Salvador Vicente Ferreira Pastinha
1890 - É promulgada a lei nº487 de autoria de Sampaio Ferraz, que proíbe á pratica da Capoeira do artigo 402 que tratava “Dos vadios capoeira”
1900 - Nasce Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba na cidade de São Salvador, Bahia
1907 - É lançado o folheto (Águia de capoeira ou ginástica brasileira). Um oficial do exercito que lutava para legitimar a capoeira que era crime na época.
1909 - Ciriaco, conhecido como Macaco Velho, derrota o campeão de jiu-jitsu Sada Mirko (O desafio durou 2 minutos)
Pastinha, sai da Marinha com 20 anos
1910 - Pastinha, abre sua primeira academia.
1912 - Bimba, começa treinar com o mestre Bentinho.
1917 - Nasce Mestre João Pereira dos Santos “João Pequeno”
1922 -Pastinha, muda sua academia para Cruzeiro de São Francisco em Salvador.
1928 - Mestre Bimba, cria a capoeira Regional.
1932 - Mestre Bimba, inaugura o Centro de Cultura Física È Capoeira Regional da Bahia.
1937 - A capoeira é Legalizada, mas somente em recinto fechado com alvará da policia.
1941 - Pastinha abre o Centro Esportivo de Capoeira Angola.
1948 - Chega em São Paulo a Capoeira, através dos Mestres Damião e Guarrido.
1953 - Em apresentação de Mestre Bimba, Getulio Vargas, declara que a capoeira é “ A única colaboração autenticamente brasileira á educação Física, devendo ser considerada a nossa luta brasileira.
1966 - Pastinha, representa o Brasil na Premier Festival Internacional de Arts Negres, de Dakar, também em 66 Bimba grava o disco Curso de Capoeira Regional .
1967 - Pastinha, lança o livro Capoeira Angola
1971 -Bimba, apresenta na expo Goiás.
1972 - A capoeira é homologada pelo Mec como modalidade desportiva.
1974 - Morre de derrame cerebral Mestre Bimba.
1978 - Os restos mortais de Mestre Bimba é transferido para sua terra natal a Bahia de todos os santos .
1981 - Mestre Pastinha, morre em Salvador.
1985 - A capoeira foi introduzida nos jogos estudantis brasileiros.
1988 - O ministério da Educação escala uma equipe para entrevistar velhos mestres da Bahia, que gera um material importantíssimo para a historia da capoeira.
1996 - Criação do Jornal da Capoeira
1998 - Criação da Revista Capoeira
A roda de Capoeira
Os capoeiristas se perfilam na roda de capoeira batendo palma no ritmo do berimbau e cantando a música enquanto dois capoeiristas jogam capoeira. O jogo entre dois capoeiristas pode terminar ao comando do capoeirista no berimbau (normalmente um capoeirista mais experiente) ou quando algum capoeirista da roda entra entre os dois e inicia um novo jogo com um deles.
O tamanho da roda pode variar de um diâmetro de 3 metros até diâmetros superiores a 10 metros, ao mesmo tempo que pode ter meia dúzia de capoeristas até mais de uma centena deles.
O jogo normalmente se inicia ao pé dos berimbaus. A roda de capoeira pode se realizar em praticamente qualquer lugar, em ambientes fechados ou abertos, sobre o cimento, a terra, a areia, o asfalto, na rua, numa praça, num descampado ou em uma academia.
Para que a roda seja realizada precisamos de uma orquestra de instrumentos. A orquestra dos grupos de angola é normalmente configurada assim: ao centro da orquestra um berimbau berra-boi ou gunga (com a maior cabaça) que faz o som grave, do lado direito um berimbau gunga ou médio (com a cabaça média) que faz um som intermediário, do lado esquerdo um berimbau viola (com a cabaça menor) que faz o som agudo. Ao lado do gunga vão por ordem o atabaque, um pandeiro e um agogo, já ao lado do viola vão: mais um pandeiro e um reco-reco (intrumento comumente feito do bambu).
A roda de capoeira é um microcosmo que reflete o macrocosmo da vida e o mundo que nos cerca. Vários elementos permeiam nossas relações com o mundo e no Jogo de Capoeira estes elementos aparecem de maneira intensa. Respeito, malicia, maldade, responsabilidade, provocação, disputa, liberdade, brincadeira, e poder, entre outros, estão presentes em maior ou menor intensidade durante um jogo, e não há um jogo igual ao outro, mesmo com um mesmo oponente.
Em geral a capoeira não busca destruir o oponente, porém contusões devido a combates mais agressivos não são raras. Entretanto, de maneira geral o capoerista prefere mostrar sua superioridade "marcando" o golpe no oponente sem no entanto completá-lo. Se o seu oponente não pode evitar um ataque lento, não existe razão para utilizar um golpe mais rápido.
A ginga é o movimento básico da capoeira, é um movimento de pernas no ritmo do toque que lembra uma dança, porém capoeristas experientes raramente ficam gingando pois estão constantemente atacando, defendendo, e "floreando" (movimentos acrobáticos). Além da ginga são muito comuns os chutes em rotação, rasteiras, golpes com as mãos, cabeçadas (com o objetivo principal de desequilibrar), esquivas, saltos, mortais, giros apoiados nas mãos e nas cabeça, movimentos acrobáticos e de grande elasticidade e movimentos próximos ao solo.
O jogo de capoeira pode durar de poucos segundos, quando há muitos capoeiristas se revezando dentro da roda, até alguns minutos. Combates longos assim são comuns quando dois capoeiristas resolvem confrontar suas habilidades ao máximo, ou mesmo quando os dois resolvem suas diferenças na roda. Em embates longos é comum a volta ao mundo, que é quando um dos capoeiristas solicita uma pausa no jogo dando algumas voltas na roda com o openente o seguindo. Depois duas a três voltas os dois saem ao pé do berimbau para continuar o jogo.
Cada toque requer uma forma diferente de jogar capoeira, a capoeira Angola pede um jogo mais lento perto do solo e com mais "mandinga" (matreiro, sutil, dissimulado), São Bento Grande de Bimba um jogo rápido e de muito chutes em rotação, Iúna um jogo com muitos floreios (movimentos acrobáticos) e assim por diante.
INSTRUMENTOS
Atabaque
Instrumento muito antigo de origem oriental, presente entre os Persas e os Árabes e muito divulgado posteriormente na África.
Chegou ao Brasil introduzido pelos Portugueses para ser usado em festas e procissões de origem religiosas a princípio. Devido aos africanos já o conhecerem com o tempo outros tipos foram trazidos para nosso país chegando aos terreiros e posteriormente tornando-se um dos componentes do ritmo da roda de capoeira. É o principal instrumento de percussão da roda marcando o ritmo e facilitando a sincronia entre os três berimbaus.
Pandeiro
Utilizado na velha Índia e Península Ibérica na idade média em festas de bodas, casamentos e outras cerimônias religiosas. Foi introduzido no Brasil também pelos portugueses e utilizado posteriormente em rodas de samba e pelos negros na roda de capoeira, sendo um instrumento de percussão geralmente mais agudo que o atabaque.
Agogô
Foi introduzido no Brasil pelos africanos, sendo o termo agogô pertencente a língua nagô e significando "sino". É utilizado em folguedos populares, cerimônias religiosas Afro-Brasileiras e na capoeira. É um instrumento de ferro tocado com auxílio de uma vaqueta sendo hoje em dia o instrumento de percussão mais agudo da roda de capoeira, samba de roda e maculelê.
Para tocar berimbau é preciso
dominar seus sete componentes
Baqueta
A vareta de madeira, que mede entre 30 e 40 cm, é batida contra a corda para emitir o som.
Dobrão
Normalmente é uma moeda velha - mas há quem use uma pedra em seu lugar. Ela é segurada entre o polegar e o indicador da mão esquerda e faz variar as notas emitidas pelo berimbau, dependendo da pressão que faz na corda.
Cabaça
O fruto seco e limpo da cabaceira (árvore comum no norte do Brasil) tem o formato de uma cuia e funciona como caixa de ressonância.
Verga
O arco, com cerca de 1,60 m de comprimento, é feito geralmente do caule de um arbusto chamado biriba, comum no Nordeste.
Corda
O fio de arame de aço bem esticado costuma ser arrancado de pneus radiais.
Amarração da cabaça
O barbante que prende a cabaça à verga ajuda a passar para ela o som emitido pela corda
Caxixi
O pequeno chocalho (com pedrinhas, sementes ou búzios) reforça a marcação do ritmo.
Como surgiu o berimbau?
Sua origem se perde na poeira dos milênios, porque o instrumento nada mais é que um modelo de arco, um dos primeiros instrumentos usados pelo homem para produzir sons, há quase 20 mil anos. A grande dúvida dos estudiosos, até hoje sem resposta, é se foi o arco usado para atirar flechas que deu origem ao arco musical - tataravô do berimbau - ou se ocorreu o contrário.
Seja como for, o instrumento ganhou a forma que tem hoje entre as antigas tribos nativas africanas. Tudo indica que ele teria chegado ao Brasil já em 1538, junto com os primeiros escravos. Aqui, ele passou a ser identificado como elemento típico da capoeira. "O berimbau é a alma dessa mistura de dança e arte marcial, definindo tanto os movimentos quanto o ritmo", afirma a historiadora Rosângela Costa Araújo, doutoranda na USP e fundadora do Grupo Nzinga de capoeira-angola. Isso não significa, porém, que seu som hipnótico se mantenha restrito às rodas de luta.
Na África, ele marca presença como acompanhamento musical de rituais fúnebres - e no Brasil também foi usado, no século XIX, por escravos recém-libertados para atrair compradores para os doces que vendiam nas ruas. Apesar do jeitão de objeto improvisado, o berimbau é um instrumento sofisticado, capaz de emitir várias sonoridades. Numa roda de capoeira autêntica, ele costuma aparecer em trio, cada um com um diferente tamanho de cabaça (sua caixa de ressonância). Quanto maior ela for, mais grave é o som.
Capoeira Angola
É uma manifestação primitiva que nasceu da necessidade de libertação de um povo escravizado, oprimido, sofrido e revoltado. Podemos considerá-la a mãe da Capoeira Regional.A Capoeira Angola é luta, dança e jogo lúdico que envolve estilo, presença de espírito, flexibilidade e muita estratégia.
É nela que o capoeirista tece movimentos que envolvem espiritualidade e disciplina mental e física. É a arte e filosofia em um único jogo.
A Angola é muito rítmica e ritualista e como muitas outras tradições africanas é oralmente transmitida de mestre para discípulo. Foi utilizada pelos escravos africanos para combater o poder de opressão do colonizador. Tem sua origem no N'golo uma tradição Banto que era relativamente pacífica.
A roda de Angola se forma com 3 berimbaus, 2 pandeiros e 1 atabaque, onde normalmente todos os componentes do ritmo, com exceção do atabaque, são tocados sentados, podendo ainda serem usados o agogô e o reco-reco. A tradição nos mostra que os angoleiros costumam jogar calçados, com calça preta e camisa amarela sendo que muitos mestres se vestem todo de branco.
Como nomes importante no mundo da capoeira Angola podemos citar Mestres Pastinha, Traíra, Cobra Verde, João Grande, Cobra Mansa, Angolinha, Moraes, Curió, João Pequeno, Gigante, Boca Rica, Aberrê, entre outros.
Vicente Joaquim Ferreira Pastinha, nascido em 5 de abril de 1889, em salvador e filho do espanhol José Senor Pastinha e da negra baiana Eugênia Maria de Carvalho foi considerado em sua época o mais perfeito lutador de capoeira angola da Bahia.
Sempre foi considerado por muitos mestres como o maior capoeirista de todos os tempos. Pastinha iniciou a capoeira com dez anos de idade devido a sempre apanhar de um rival mais forte e de mais idade na rua. Um dia um velho africano assistiu ao combate por sua janela e vendo Pastinha chorar de raiva depois de apanhar chamou-o para ir todos os dias à sua casa aprender a capoeira.
Pastinha treinou por quatro anos e depois ensinou quarenta. Aprendeu capoeira com Benedito até ingressar na marinha de guerra. Foi músico, pintor, poeta popular, mestre de capoeira, jogador de futebol (pelo ypiranga), alfaiate, engraxate, fez garimpo e foi leão-de-chácara (em casa de jogo). Faleceu em 1981 aos 92 anos de idade, dos quais 81 dedicados a capoeira.
MESTRE JOÃO GRANDE
Sendo a angola a arte precursora da capoeira regional contemporânea seu aprendizado auxilia em muito o desenvolvimento na regional. Além de que a angola é universal e onde quer que se jogue capoeira angola ocorre um entendimento e parceria maior entre os capoeiristas.
É devido a tudo isso que nós não podemos menosprezar a Capoeira Angola que foi a precursora da Capoeira Regional. Mais importante que rotular grupos ou pessoas como praticantes da Angola ou da Regional é buscar a capoeira como algo mais amplo. É importante ser um capoeirista o mais completo possível, ou seja, jogando e tocando todo o tipo de capoeira.
CAPOEIRA REGIONAL uma manifestação da cultura baiana, que foi criada em
1928 por Manoel dos Reis Machado ( Mestre Bimba ). Ele utilizou seus conhecimentos da Capoeira Angola e do Batuque.
MESTRE BIMBA ,DISSE EM 1928:
"EU CRIEI, COMPLETA, A REGIONAL, QUE É O
BATUQUE MISTURADO COM A ANGOLA, COM MAIS
GOLPES, UMA VERDADEIRA LUTA, BOA PARA O
FÍSICO E PARA A MENTE ".
Manoel dos Reis Machado ( Mestre Bimba ), nasceu em 23 de novembro de 1900, no bairro de Engenho Velho deBrotas, em Salvador, Bahia, filho de Luís Cândido Machado, famoso campeão baiano de batuque, e de Maria Martinha do Bonfim. Foi carvoeiro, doçeiro, trapicheiro, carpinteiro, mas, principalmente capoeirista, MESTRE DE CAPOEIRA, condição esta adquirida por reconhecimento popular e pelo respeito da sociedade, numa época em que a perseguição, às manifestações da cultura negra eram muito intensas e perversas.
Muniz Sodré, Ex-aluno se refere ao Mestre dizendo:
" foi uma das últimas grandes figuras do que se poderia chamar
de ciclo heróico dos negros da Bahia ".
Somente aos 12 anos de idade, Bimba o caçula de Dona Martinha, iniciou-se na Capoeira, na Estrada das Boiadas, hoje bairro da Liberdade. Seu Mestre foi o africano Bentinho,Capitão da Companhia de Navegação Baiana. Assim nasceu a Capoeira Regional.
Maculelê
Muito comum no Interior da Bahia, precisamente na Região do Recôncavo e muito difundido na Cidade Santo Amaro da Purificação, o Maculelê, dentro das celebrações profanas locais, comemorativas do dia de Nossa Senhora da Purificação (2/Fev.), a santa padroeira da cidade.
Essa manifestação de forte expressão dramática, ponto alto dos folguedos populares, destinava-se a participantes do sexo masculino que dançavam em grupo, batendo as grimas (bastões) ao ritmo dos atabaques e ao som de cânticos em linguagem popular, ou em dialetos
africanos. Dentre todos os folguedos existentes em Santo Amaro, cidade marcada pelo verde dos canaviais, o Maculelê era o mais rico em cores. Seu ritmo vibrante contagiava a todos.
São contraditórias e pouco esclarecidas suas origens. Tem-se como um ato popular de origem africana que teria florescido no século XVIII nos canaviais santo-amarense e que se integra, há mais de duzentos anos, nas comemorações daquela cidade.
Um dos seus registros mais significativos consta na nota fúnebre publicada pelo jornal "O Popular" (10/Dez/1873), que circulava em Santo Amaro: "Faleceu no dia primeiro de dezembro a africana Raimunda Quitéria, com a idade de 110 anos.
Apesar da idade, ainda capinava e varia o adro
(terreno em volta) da igreja da Purificação, para as folias do Maculelê. No início deste século, com a morte dos grandes mestres de Maculelê daquela cidade, o folguedo começou a desaparecer, deixando de constar, por muitos anos, das festas da padroeira.
Em 1943, outro mestre, Paulino Aluísio de Andrade, conhecido como Popó do Maculelê e considerado como "pai do Maculelê, no Brasil", reuniu parentes e amigos para ensiná-los a
dançar, com base nas suas lembranças, pretendendo inclui-lo novamente nos festejos religiosas locais.
Seu grupo passou a ser conhecido como "Conjunto de Maculelê de Santo Amaro".
Entretanto, é através dos estudos de Monoel Querino (1851-1932) que se encontram indicações de tratar-se o Maculelê de um fragmento do Cucumbi, uma dança dramática em que os negros batiam pedaços roliços de madeira, acompanhados de cantos. Em seu "Dicionário do Folclore Brasileiro", Luís da Câmara Cascudo aponta a semelhança do Maculelê com os Congos e
Maçambiques.
Emília Biancardi escreveu um livro de título "Olelê Maculelê", considerado como um dos estudos mais completos sobre o assunto. Como a intenção aqui não é arrolar todas as hipóteses levantadas sobre as origens dessa dança folclórica, os exemplos acima citados já
servem para demonstrar o grau de incerteza que persiste com relação às possíveis interpretações sobre os primórdios do Maculelê.
O Maculelê vem sofrendo profundas alterações em sua coreografia e indumentária, cujo resultado reverte em uma descaracterização.
Exemplo: o que era originalmente apresentado como uma dança coreografada em círculo, com uma dupla de figurantes movimentando-se no seu interior
sob o comando do mestre do Maculelê, foi substituído por uma entrada em fila indiana com as duplas dançando isoladamente e não tendo mais o comando do mestre. O gingado quebrado, voltado para o frevo, foi substituído por uma ginga dura, de pouco molejo.
Mais recentemente,
faz-se a apresentação sem a entrada em fila. Cada figurante posta-se isoladamente, sem compor os pares, e realiza movimentos em separado, mais nos moldes de uma aula comum de ginástica do que de uma apresentação folclórica requintada. Deve-se reconhecer que não só o Maculelê mais por todas as demais manifestações populares vivas ficam sempre muito expostas a modificações ao longo do tempo e com o passar dos anos.
Assim aconteceu no Rio de Janeiro com o Maculelê original, vindo da Bahia: sofreu alterações. Entendo que todas essas modificações devam ficar registradas, para permitir que os pesquisadores, no futuro, possam estudar as transformações sofridas e também para orientar melhor aqueles que vieram a praticar esse folguedo popular, de extrema riqueza plástica, rítmica e musical, que é o Maculelê.
PUXADA DE REDE
O teatro folclórico que retrata a puxada de rede, conta a história de um pescador que ao sair para o mar em plena noite para fazer o sustento da família, despede-se de sua mulher que, em mau pressentimento, preocupa-se com a partida do marido e o assusta dizendo dos perigos de sair à noite, mas o pescador sai e deixa-a a chorar, e os filhos assustados.
O pescador sai para o mar e leva consigo uma imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, seus companheiros de pesca e a bênção de Deus.
Muito antes do horário previsto para a volta dos pescadores, a mulher do pescador, que ficou na praia esperando a hora do arrasto, teve uma visão um tanto quanto estranha. Ela vê o barco voltando com todos à bordo muito tristes e alguns até chorando. Quando os pescadores desembarcam, ela dá pela falta do marido e os pescadores dizem a ela que ele caiu no mar por conta de um descuido e que devido à escuridão da noite, não foi possível encontrá-lo, ficando ele perdido na imensidão das águas.
Ao amanhecer, quando foram fazer o arrasto da rede que ficara no mar, os pescadores notaram que por ter sido aquela uma noite de pouca pesca, a rede estava pesada demais. Ao chegar todo o arrasto à praia, já com dia claro, todos viram no meio dos poucos peixes que vieram, o corpo do pescador desaparecido. A tristeza foi instantânea e o desespero tomou conta de todos ali presentes.
Prossegue-se então os rituais fúnebres do pescador sendo levado à sua morada eterna pelos amigos que estavam com ele no mar, sendo seu corpo carregado nos ombros, pois a situação financeira não comportaria a compra de uma urna, o cortejo segue pela praia.
Dança do fogo
Dança feita em homenagem a XANGÔ, o Deus do Fogo e dos Trovões.
Esta é uma das danças mais conhecidas e apreciadas da maioria do povo. É uma dança onde os bailarinos erguem tochas, dançando com elas, fazendo acrobacias, círculos, espirais, passando-as pelo corpo, deitando-se no chão, girando sobre elas, etc. Ao mesmo tempo em que dançam, acompanham o ritmo da música com o bater de pés e cantares e gritos de alegria.
A dança do fogo é um verdadeiro espetáculo, exigindo grande destreza e domínio técnico, ao mesmo tempo em que mostra a força e agilidade.
O QUE É PRECISO PARA SER MESTRE DE CAPOEIRA?
Mestre Mão Branca:
"A palavra 'Mestre' é muito forte. O Mestre é um símbolo, um orientador. Não se torna que é exímio capoeirista ou se julga intocável na roda; mais quem trabalha em prol da capoeira na sua projeção na sociedade. Ser Mestre é assumir um compromisso com a arte que se ama. Para isso é preciso respeito com a hierarquia, com a filosofia e experiência de roda."
Mestre Nacional:
“ Eu acho que a primeira coisa é persistir na humildade, deixar a vaidade de lado e participar mais das rodas de Capoeira tradicionais. Não existe o melhor, existe aquele que faz Capoeira com o coração”.
Mestre Baiano Anzol:
“Para ser Mestre é preciso pelo menos de 10 a 12 anos de pesquisas, treinos e descobertas, a Capoeira é a sorte que envolve os sentimentos, a sensibilidade e se torna parte de sua vida.”
Mestre Celso:
“Para se tornar um Mestre de Capoeira é necessário tempo de Capoeira, trabalho e idade porque o garoto de 20 anos que não tem experiência vai passar o quê para os outros? É preciso ser educado e passar essa educação”.
Mestre Camisa:
“É necessário trabalho e tempo. Ninguém pode ser Mestre de Capoeira com menos de 40anos de idade. É preciso experiência de vida, conviver com a Capoeira e ser um excelente capoeira”.
Mestre Hulk:
“O indivíduo tem que treinar um bom tempo, ter conhecimento de tudo o que envolve a Capoeira sob todos os aspectos (jogos,histórico, cultural,...) saber palestrar sobre a Capoeira, ensinar a humildade, ter vivência e conduta de cidadão. Saber ser um cidadão”.
Mestre Joel:
“ Treinar e ter pelo menos 15 anos de Capoeira. Sentir que será um profissional como instrutor de Capoeira, ter consciência, ser brasileiro e tomar conta desse esporte que é o melhor que temos e já se espalha pelo mundo”.
Mestre Açapê:
“O capoeirista precisa ter, no mínimo, 30 anos de idade e saber entrar aonde for chamado”.
Mestre Suassuna:
“ Mestre de Capoeira tem que ser uma pessoa especial, não pode ser qualquer pessoa que dá aula de Capoeira, que vira Mestre de Capoeira, ser uma pessoa que tenha uma consagração do povo, tanto da Capoeira como do povo em geral pelo trabalho que ele tem. O Mestre é um cara que representa o pai do aluno a mãe do aluno, o professor do aluno.
O aluno confia muito nele. É o cara que dá as coordenadas de uma vida social e tem uma influência muito grande na formação de um garoto, de um jovem. Não há tempo determinado para um capoeirista se tornar Mestre. Mas se tivesse que determinar um perfil, um Mestre deveria ter no mínimo 50 anos de idade, e ter participado ativamente da Capoeira e dos seus problemas.
Mestre Ananias:
“Para se tornar um Mestre de Capoeira tem que ter muitos anos de Capoeira, ele pode ser chamado de Mestre no mínimo dos seus quarenta, cinqüenta anos para cima. Não é de um dia para o outro que o cidadão se torna um Mestre de Capoeira.
” Hoje você vê um monte de garoto novo que não sabe nem o que é uma afinação de berimbau, ou até mesmo uma chamada de berimbau e já se diz Mestre, não sabe tocar nada! É uma vergonha, aí eu digo que tem que voltar para a academia e aprender tudo de novo o que esqueceram! Você vê apenas a valentia dentro deles, malandragem e mais nada. Tem que ter também um trabalho limpo com a Capoeira.
Mestre Suíno:
Hoje o que está acontecendo é que primeiro a pessoa se torna Mestre do seu Grupo e depois ele vai tendo um reconhecimento da comunidade capoeirística como um todo. Então dentro de cada Grupo o Mestre estipula um currículo. O Mestre tem que ter um pouco de didática, conheça um pouco de psicologia infantil, conheça um pouco também de primeiros socorros para poder atender uma pessoa quando tem um acidente e principalmente procurar estudar tendo assim uma formação escolar pois a sociedade hoje está cobrando.
Para se tornar Mestre de Capoeira hoje a exigência é um pouco maior, não só aprendendo a Capoeira mas aprofundar, ter uma proposta séria também e não ser uma pessoa leviana, que hoje acredita em uma coisa amanhã acredita em outra, hoje ele diz uma coisa amanhã ele diz outra. Ter um aprofundamento nos principais fundamentos da Capoeira para que ele não se torne um leviano dentro da Capoeira.
Hoje para ser um Mestre de Capoeira, não basta apenas ser um professor tem que ser também um educador, ser uma pessoa que faz na prática aquilo que ele diz na teoria. Tem que ser 24 horas Mestre e não estar Mestre só nas horas necessárias. Pois Mestre hoje é uma pessoa influente dentro da Sociedade com conhecimento de causa.
Mestre Ray: Dedicação, conhecimento, participação, qualidade técnica e trabalho pela capoeira
A repressão da capoeira
Quando a família Real chegou ao Brasil, em 1808, começou o processo de repressão à cultura negra e foi intensificada a perseguição policial.
Em 1809, foi criada a Guarda Real da Polícia na qual o Major Miguel Nunes Vidigal foi nomeado comandante. Major Vidigal foi o verdadeiro terror dos capoeiristas, perseguia-os, espancava-os e torturava-os na tentativa de exterminá-los.
Apesar dos severos castigos, os capoeiras resistiam bravamente e em 1824, a punição tornou-se pior: além das trezentas chibatadas eram enviados por três meses para realizar trabalhos forçados na Ilha das Cobras.
A partir da segunda metade do século XIX (1850), começaram a ocorrer sucessivas prisões de capoeiristas, os quais estavam formando maltas que atemorizavam a população e os govemantes. Os principais focos da capoeira eram: Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco.
No entanto, no Rio de Janeiro é que a capoeira era motivo de maior preocupação (mesmo porque o Rio era a capital do país na época), era onde estava a maior concentração das maltas, sendo as mais temíveis os Guaiamuns e os Nagoas.
Os Nagoas eram ligados aos monarquistas do Partido Conservador, agiam na periferia, e os Guaiamuns eram ligados aos Republicanos do Partido Liberal, controlavam a região central da cidade.
Apesar da repressão que sofria, quando interessava, a capoeira servia também de instrumento nas mãos dos políticos. Ora para os liberais, ora para os conservadores. Um exemplo é a Guarda Negra, criada em 1888 por José do Patrocínio, composta por negros capoeiristas que tinham o objetivo de defender a monarquia e lutar contra a República (após a libertação dos escravos os capoeiristas ficaram ainda mais a favor da monarquia como agradecimento à Princesa Isabel por ter assinado a Lei Áurea).
Logo após a Proclamação da República (1889), a capoeira foi proibida pelo Marechal Deodoro, permanecendo nessa situação até 1937 quando Mestre Bimba a tira do código penal e a leva a esporte nacional.
Câmara reconhece prática de
capoeira como profissão
Agência Câmara
SÃO PAULO - A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou na última quarta-feira (3), em caráter conclusivo, o Projeto de Lei 7150/02, do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que reconhece a prática de capoeira como profissão. O projeto já aprovado pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público segue para a análise do Senado.
Pela proposta, o capoeirista passa a ser considerado atleta profissional, apto a participar de eventos públicos ou privados mediante remuneração. A capoeira já é reconhecida como manifestação cultural de dança, de luta ou de outras formas de competição.
A CCJ aprovou o parecer do relator, deputado Sandro Mabel (PR-GO), pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa do projeto, com emenda que suprime a exigência de inscrição do mestre capoeirista na Confederação Brasileira de Capoeira (CBC). Segundo Mabel, essa exigência criaria indesejável reserva de mercado, em conflito com o princípio do livre exercício profissional.
SAMBA DE RODA
O samba de roda é uma das variações do batuque de Angola. Conforme reza a tradição, no meio da roda, um dançarino sambava sozinho. Depois de certo tempo, através de uma umbigada, convidava um dos presentes para substituí-lo.
A orquestra de samba geralmente é composta por pandeiros, viola, chocalho, prato de cozinha arranhado por uma faca e, às vezes, por berimbau. O canto é puxado por uma pessoa, respondido pelos demais, acompanhado por palmas. O cancioneiro do samba de roda é muito rico e tem sido uma fonte inesgotável para o cancioneiro erudito popular do Brasil.
Na Bahia se faz samba de roda em muitos lugares e em muitas ocasiões, sendo porém muito animadas e comentadas aquelas que acontecem nas festas de largo de Salvador.
E alguns terreiros de samba de candomblé como o da Mãe Alice, o samba de roda pode ser apreciado na sua forma tradicional.
As famosas Bahianas da Mãe Alice, como Nita, Edinha, Marinalva, Joselita entre outras, fizeram parte da chamada TURMA DE BIMBA, nos anos 50 e 60.
20 DE NOVEMBRO , DIA PARA REFLEXÕES E DECISÕES
RECADOS
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OBRIGADO; E VOLTE SEMPRE ;N!
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